quinta-feira, 26 de maio de 2011

E eu rezo ...

"Alguma coisa me despertou de um sonho que eu estava tendo. É um sentimento que eu tive muitas vezes antes. Minhas palavras se partindo e derretendo, meus olhos sem saberem para onde olhar. Todas as coisas que desejei não ter dito são tocadas nos meus lábios até o momento que se torna loucura em minha cabeça. Tudo aquilo que eu continuo pensando ao longo deste vôo é que poderia levar minha maldita vida inteira para fazer isso direito, pois este mastro lascado em que eu estou segurando não me salvará por muito tempo. E quanto mais minha jornada se faz longa, mais me perco, a mim e meus amigos, que já não são os mesmos. E vejo que eles se perdem, mais do que estou me perdendo. Pobre ilusão, salta aos olhos dos puros e conservadores, e corrompe os de bom coração. Enrolados e sem esperança nós tentamos de novo. Até que tudo vire pó."



Please, just save us from this darkness


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domingo, 8 de maio de 2011

Espero que nunca saibas ..

Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais. Você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.
Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.


V.H.


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terça-feira, 3 de maio de 2011

Abrindo a cortina ..

'Pintei o cenário
e o coloquei no prumo;
varri a plateia,
arrumei os bastidores.
No camarim, frutas e champanha:
eu seria a personagem principal.
Depois repassei minhas falas,
provei minhas fantasias,
e me pus a chorar:
numa escada invertida,
nem em cima
nem embaixo,
passavam estranhas figuras,
grandes demais para mim.

(Eu andava pelo palco,
sem sapatos nem rumo.)'


Lya Luft


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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Eternamente Ligeia ..

(...)Entretanto, nem por isso sou menos capaz de definir essa sensação, de analisá-la, ou mesmo de ter dela uma percepção integral. Reconheci-a, repito-o, algumas vezes no aspecto duma vinha rapidamente crescida, na contemplação de uma falena, duma borboleta, duma crisálida, duma corrente de água precipitosa. Senti-a no oceano, na queda dum meteoro. Senti-a nos olhares de pessoas extraordinariamente velhas. E há uma ou duas estrelas no céu (uma especialmente, uma estrela de sexta grandeza dupla e mutável, que se encontra perto da grande estrela da Lira) que, vistas pelo telescópio, me deram aquela sensação. Sentindo-me invadido por ela ao ouvir certos sons de instrumentos de corda e, não poucas vezes, ao ler certos trechos de livros. Entre numerosos outros exemplos. (...)


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cartas Perto do Coração

"Apenas desejo intensamente que você não avance demais para não cair do outro lado. Você tem de ser equilibrista até o fim da vida. E suando muito, apertando o cabo da sombrinha aberta, com medo de cair, olhando a distância do arame já percorrido e do arame a percorrer — e sempre tendo de exibir para o público um falso sorriso de calma e facilidade. Tem de fazer isso todos os dias, para os outros, como se na vida não tivesse feito outra coisa, para você como se fosse sempre a primeira vez, e a mais perigosa. Do contrário seu número será um fracasso."


De Fernando Sabino para Clarice Lispector


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sábado, 20 de novembro de 2010

"... bem o conheço. num espelho de bar, numa vitrina, ao acaso do footing, em qualquer vidraça por aí, trocamos às vezes um súbito e inquietante olhar. não, isto não pode continuar assim.
que tens tu de espionar-me? que me censuras, fantasma? que tens a ver com os meus bares, com os meus cigarros, com os meus delírios ambulatórios, com tudo o que não faço na vida!?"


M.Q.
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A espreita

"Não dou chance
ao fortuito fantasma
que me acompanha
(e que sou eu mesmo).
Vive a me espionar.
Espera o momento
em que eu baixe a guarda.
Pensa descobrir
o que não quero revelar.
(Vai cansar…)
Seu olhar, fixo em mim,
eu finjo não perceber.
Ele se finge casual…
Mas não é!"
 
 
 M.Q.
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"Memórias desaparecendo como uma camada de neve derretida em semanas de idade.
A faca mais afiada que existiu, ou existe.
Os corações humanos nunca são claros. 
Incompreensíveis
Perseguimos fantasmas que desaparecem rapidamente.
Bem, eu persigo."



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"Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos."


Edgar Allan Poe



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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

'Porque eu sou a primeira e a última
Eu sou a venerada e a desprezada
Eu sou a prostituta e a santa
Eu sou a esposa e a virgem
Eu sou a mãe e a filha
Eu sou os braços de minha mãe
Eu sou a estéril, e numerosos são meus filhos
Eu sou a bem-casada e a solteira
Eu sou a que dá à luz e a que jamais procriou
Eu sou a consolação das dores do parto
Eu sou a esposa e o esposo
E foi meu homem quem me criou
Eu sou a mãe do meu pai
Sou a irmã de meu marido
E ele é o meu filho rejeitado
Respeitem- me sempre
Porque eu sou a escandalosa e a magnífica.'

 
 
Hino a Ísis, século III ou IV (?), descoberto em Nag Hammadi



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domingo, 17 de outubro de 2010

"- Ela parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.

- Em alguém do quadro?

- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.

- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.

- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.

- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?"



O Fabuloso Destino de Amélie Poulain


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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Mais que lembranças, o que eu guardo de ti dentro de mim é algo indescritível e imortal, desde que resolvemos nos suportar de boa forma e dissemos que seria pra sempre mesmo se acabasse, eu me lembro. Esses eram tempos que eu acordava com vontade de respirar e me sintonizava a estação do teu pensando tentando adivinhar a qual hora do dia eu poderia te encontrar, eram bons tempos. Agora tudo o que eu presencio é um silêncio teu que não me deixa te dizer nada, falar eu até posso, mas quem me garante que você vai me ouvir, gritar? Nem pensar, tenho que admitir. Mas para. Antes que eu pare de achar que eu ainda existo pra ti, e que ainda se importa com o que eu posso ou não escrever, só pra não te esquecer, jamais. Você sabe mais do que ninguém o que eu tenho em mente, é, você acertou."



Adiós Ilusion

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domingo, 10 de outubro de 2010

"Eu sou uma pessoa excitável que só entende vida liricamente,
musicalmente, em quem sentimentos são muito mais fortes que a razão.
Eu estou tão sedenta para o maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim.
Qualquer coisa que eu não possa transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir.
Realidade não me impressiona. Eu só acredito em intoxicação, em êxtase,
e quando vida ordinária me algemar, eu escapo, de uma maneira ou de outra.
Nenhum muro mais."



Anaïs
 
 
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Eu gostaria de ir embora para uma cidade qualquer, bem longe daqui, onde ninguém me conhecesse, onde não me tratassem com consideração apenas por eu ser “o filho de fulano” ou “o neto de beltrano”. Onde eu pudesse experimentar por mim mesmo as minhas asas para descobrir, enfim, se elas são realmente fortes como imagino. E se não forem, mesmo que quebrassem ao primeiro vôo, mesmo que após um certo tempo eu voltasse derrotado, ferido, humilhado - mesmo assim restaria o consolo de ter descoberto que valho o que sou."




-Caio Fernando de Abreu
 
 
 
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

'Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesma preparo o chá para os fantasmas.'



-M.Q.



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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Invictus.

"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Sou eu o senhor do meu destino;
Sou eu o capitão da minha alma."




-William Ernest Henley



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terça-feira, 31 de agosto de 2010

..minha dor psicológica perdeu a lógica,
por isso ponho em prática doideras neurológicas..
Não sabe do que eu falo? São apenas idéias que intercalo.
Poderiam dizer você.


                                 " A falta de visão que nos levou a tudo isso,

                                              foi tão difícil de se acostumar.
                                  Só quero olhar para frente e esquecer você,
                                                      saber o meu lugar. 
                                             (...) E se você não quiser, ouvir;
                                       As canções já não me dizem mais nada,
                                                          poderiam dizer.
                                     Preciso te lembrar como tu era no início,
                                               era um vício difícil de deixar.
                                      Procuro em tanta gente um espelho teu,
                                                não vejo nada, não vejo nada.
                                          Tentando ser o que eu não era mais,

                                            Eu me vi escondido em um mundo
                                                        que você criou;
                                          E nunca mais voltou para me libertar.
                E eu que não sei, aonde chegar, já caminhei tanto pra encontrar.
                      E eu que não sei, como te falar já escrevi tanto pra cantar."

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

(. . .) É de minha responsabilidade não ficar triste, não deixar ninguém me magoar, não deixar que nada de ruim me aconteça porque você me ama e não aguentaria. Claro que me cuido, nem precisava pedir. Te cuida, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um te amo."




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domingo, 29 de agosto de 2010

- Eu fico me perguntando às vezes se vai ser sempre assim. Esses sentimentos... Essas sensações... Essas pessoas... Essa angústia. Essa sensação de sobra de espaço. Falta algo , falta alguém. Esse incrível dom de amar o apático.


- Dom, bela palavra para descrever porque sentimos tais coisas. Pode ser apenas dom mesmo, predestinação. Parecemos estar mesmo predestinadas a gostar do efêmero, não gostar, mas sermos inevitavelmente atraídas por ele. Atração, existe?

- Não sei, acho que sim. É assim que tudo começa não é? Por isso mesmo cansei de começos, cansei de fins. Se é inevitável, fica difícil. Eu não queria me tornar amarga , fria . Não queria ter em mim essa apatia repugnante. Mas de que outra forma evitar ? A descrença e a falta de coragem, e a sobra de experiências mal resolvidas, mal sucedidas, só levaram consigo aquilo que eu chamava de esperança. Dói. Não é fácil viver por viver, não queria ser covarde, queria poder acreditar no amor. Ilusão. Não sei se vale à pena ter certeza, falta algo, eu sei, mas dói menos.

- Na verdade eu vivo perdendo. Perdendo palavras. Perdendo pessoas. Perdendo tempo. Ele vai, volta, volta, vai. Isso definha aos poucos. Sempre falta algo, Liz. Sempre repleta de minhas poucas amigas sinceras. Tão parecidas comigo. Você é parecida comigo. Sempre com medo de nos tornarmos frias, amargas, apáticas. Essa intensidade que nos consome, que nos trai. Logo perturbando nossas mentes com idéias insanas. Tudo tão irreal.

-Perder. Já me acostumei, mas isso não faz com que doa menos. Supero com mais facilidade , mas eu sempre fico com a sensação de que tudo que vai , deixa maturidade, ainda que leve um pouco de mim. Somos muito parecidas, mesmo. Basta uma frase pra desvendarmos e entendermos todo nosso contexto. Somos intensas demais Thamara, queremos nos apegar ao que nos parece agradável. Acho que é o que nos faz doer. Sentimos, logo nos entregamos. Verdadeiramente, sentimos. Não ficamos criando fantasias, romances onde só existe ilusão, falta de essência , excesso de futilidade . Não há necessidade em ser algo que não somos só pra usar pessoas como válvula de escape pro tédio .Se dizemos é porque sentimos, nem sempre esperando reciprocidade. E de tudo isso,fica uma certeza. Um cansaço. Uma descrença. Dois cigarros, um pra mim, outro pra você. E uma vontade de ir, de não procurar, de ser encontrada. Um Adeus.

-Um Adeus.




.Palavras trocadas entre mim e Lizandra.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

'I am the master of my fate. I am the captain of my soul.'