quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Oh Darkness! My old friend...

Sabe quando parece que tu não está nesse mundo? Me sinto dopada sem ter tomado um remédio sequer. Não ouço o que os outros dizem, não participo das discussões, estou ali de corpo presente, com a alma em outra dimensão. É uma sensação de estar em dois lugares ao menos tempo, em que ambos disputam pela minha atenção, e não sei lidar. Ao mesmo tempo em que estou imersa nesse outro mundo, algo de cá me puxa de volta, apenas para certificar de que estou ouvindo ou prestando atenção. Concordo para ser deixada em paz, e retorno a viajar novamente. Nada de interessante no mundo real, as mesmas futilidades de sempre. A viagem a esse outro lugar, diferente, inusitada, é que tem me mantido afastada das minhas ansiedades. Ansiedade essa que me fazia buscar frequentemente pela atenção de alguém, que na verdade não se importava muito. O mundo está cheio de pessoas ávidas por atenção, ninguém mais se preocupa com os outros, apenas de forma superficial. Àqueles a quem depositamos mais esperanças, de nos tirar do vazio, da escuridão, são os que tendem a nos decepcionar mais. Pois isso são coisas que somente nós podemos fazer por nós mesmos, é uma ingenuidade atribuir tal função a alguém. Essa falta de desatenção com o mundo, me salva e me impede de cometer muitos erros. Em vez de sair por aí procurando, clamando por algo, apenas fico tácita, imóvel, olhando para um lugar fixo, sem nada estar vendo. Quantas vezes o coração já disparou quase pulando pra fora do peito? Só sei que todas foram em vão. Muitas vezes já sofri, achando que seria a última vez, sem saber quando iria me recuperar. Todas essas vezes a dor parecia infinita, todas as vezes eu achava que não iria aguentar. No entanto aqui estou, com o olhar perdido em meio a multidão, sem saber a quantas horas estou em devaneio. Vem me buscar.

- Por Thamara Venâncio.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Memórias de Salem...

Salem nasceu dia 22 de julho de 2014, um mês depois ele veio para minha casinha para que eu cuidasse e amasse ele. Muito pequenino e com pêlos eriçados e negros, ríamos sempre muito de Salem, aquela coisinha pequena e que sempre fazia graça. Chegou um pouco desconfiado, grudou em mim igual um carrapato, mas não demorou 24 horas e já estava explorando o local. Nunca antes tive um gatinho, sempre preferi cachorros, mas resolvi adotar quando uma amiga ofereceu, e não me arrependi nenhum dia sequer. Ele era doce, bagunceiro, carente. Me acordava 5:30 da manhã todos os dias, fazia muita raiva. Parecia que tinha um reloginho na barriga, dava a hora, ou miava até acordar todos da casa, ou jogava algo que tinha na cabeceira da minha cama em cima de mim. Uma vez foi uma caneca, meu nariz ficou rachado. Até hoje conto essa história para as pessoas morrendo de rir. Como eu amava as provocações dele. Passava o dia dormindo, quando eu deitava de noite para dormir, parecia que um foguinho ascendia dentro dele. Olho arregalado, todo preto, e orelhinha pra trás. Eu via e já dizia: "Vish, tá com capetinha no corpo, agora que não durmo mesmo". Daí como já sabia que seria impossível dormir, eu levantava e ia brincar. Tinha que correr atrás dele, brincar de esconder pra ele me procurar. Ele adorava quando eu escondia atrás de alguma pilastra, e escondia a cara e mostrava, escondia e mostrava, até ele dar um salto e vir me pegar. Apertava muito aquela barriga gorda gostosa, toda banhudinha. Ele agarrava a minha mão e me arranhava toda. Tenho até hoje cicatrizes no braço dos arranhões que ele me dava quando brincava com ele, eu adorava. As pessoas ficavam abismadas com aquilo, mas eu sempre gostei de ficar com aquelas marquinhas, fazia de propósito. Parecia um canguru quando mexia na sua pancinha, deitado de costas, batia as patinhas traseiras igual a um. Mas eu me sentia mesmo uma mãe quando ele dormia na minha cabeça à noite, ou quando se encaixava na minha cintura. Ele era tão pequenino, foi esticando, ficando cada vez mais engraçadinho. Os pêlos foram ficando bonitos, principalmente os do rabo dele, que ficaram grandes, e todos perguntavam de que raça ele era, de tão bonito que ficou. Na verdade não tinha nenhuma, era meu vira latinha pretinho sem vergonha. Muitas vezes eu ficava o dia inteiro fora de casa, tinha acabado de começar meu mestrado, e sempre quando chegava em casa era aquela carência, miava, miava, esfregava, esfregava, pra logo depois sair correndo, se enfiar em uma caixinha qualquer que tivéssemos dado para ele. Ah, a caixinha! Que felicidade foi a primeira caixinha de papelão que dei pra ele. Como disse, nunca antes tive gatos, demorei a saber o que eles curtiam, descobri que eram muito diferentes de cachorros. Recebi a dica da caixinha uma vez e foi certeiro, como ele adorava! Guardo a fotografia até hoje dele com a primeira caixinha. Mas que gatinho doce era esse meu. Todos que chegavam lá em casa ele ia receber com o maior carinho, fazia com que todos se apaixonassem por ele. Sempre pensei que gatos fossem mais antipáticos, mas o Salem não era. Talvez por sempre ter criado somente cachorros, que eu criei ele diferente também, mais alegre, mais receptivo. No entanto, os momentos de mau-humor tinha também. Nossa, quando era assim, só cristo pra aguentar o Salem. Já com um aninho e pouco, ele mudou muito, gostava de ficar quieto, era mais rabugento, e eu adorava fazer raiva nele. Ele chegou a ficar bem bizarro, com umas manias estranhas, como quando eu acordava no meio da noite e ele estava assentado em frente ao meu rosto me encarando. Que susto eu tomava! Mas era tão bom, porque daí começávamos a brincar. Isso quando eu acordava naturalmente, e não de um sobressalto com um tapa na cara, que era o de costume. Quem tem gato sabe, se o bichano não te acorda de vez em quando com um tapa na cara, aí tem um problema. Salem nunca teve esse problema, a não ser o de excesso dele. Me irritava tanto quando eu custava a dormir e depois ele fazia isso. Muitas vezes era só um pretexto para se enfiar debaixo das minhas cobertas, principalmente nos dias frios. Como eu amava aquela pretinho safado sem vergonha. Só deus sabe, quando hoje recebi a notícia de que ele morreu envenenado, o quanto fiquei triste e com o coração partido. Ele estava há algum tempo na casa da minha mãe, em minha cidade natal. Iria trazer ele de volta quando retornasse das férias, mas não vou ter a oportunidade. Porque alguém, acima da lei, se achou no poder de colocar veneno em alguma comida, para matar esse pobre anjinho, que eu cuidei sempre com muito carinho. Ele foi vítima da maldade humana. E a maldade humana não espera, ela estraga toda felicidade a qualquer custo. Na verdade, a que custo? Meu pretinho bebê se foi, e eu fiquei ainda mais com menos esperanças no ser humano. Se antes o vazio já estava presente aqui dentro, agora ele se alastrou e tomou conta. Um gatinho tão dócil, lindo e brincalhão, que até quem não "curtia" gato se simpatizava. Bem, ele se foi, e não foi por nenhuma doença. Não foi porque estava na hora, e além da tristeza, vem junto a indignação. Hoje o mundo pra mim ficou mais triste e só me restam agora essas memórias dele e muitas outras que eu guardo comigo.

Salem
☼ 22/07/2014
♰ 20/12/2016

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Still nothing...

No momento em que tudo aparenta fluir tão bem, e que presumo que esteja tudo no lugar - todas as felicidades acerca das novas amizades, meus ganhos em minha pesquisa acadêmica, o alcance de um emprego adequado - , no instante em que me vejo só e distante de toda a correria da vida diária, me brota os sentimentos de solidão. Aqueles sentimentos que formigam dentro da gente, que estavam ali na espreita, aguardando uma chance de manifestar. A ansiedade nessas horas se materializa, a cabeça vai a mil tentando se ocupar com qualquer coisa que não seja a sensação de vazio, de falta, de solitude. Tais momentos se igualam a de um exílio, de banimento dos outros, da falta de pertencimento a um lugar ou alguém. Pois nada me pertence e não pertenço a ninguém. Parece uma ótima expressão pra se levar pra vida, se não fosse o fato de que isso nos corrói de um modo ou de outro. Dizem que não pertencer a alguém ou a um lugar é um ganho e tanto, um ganho da nossa autonomia, da nossa emancipação. O que poucos dizem é o que fazer com esse comichão que nos devora por dentro, que nos relega ao ostracismo, a exclusão. O que fazer quando o caminhar só já não satisfaz? O que fazer com a certeza de que nada construído nesse mundo moderno é feito para durar? O que fazer com tudo isso que é fadado ao fracasso? O que fazer quando não sabemos mais o que fazer?
As perguntas parecem um labirinto, na qual a saída seriam as respostas, e não parecem havê-las. Dizem que é preciso paciência, que é preciso viver um dia por cada vez, que é preciso tentar, tentar e tentar até encontrar alguém por quem vale a pena insistir. Mas eu te digo, eu não consigo tentar, eu não consigo arriscar. Eu sou daquelas que falha e nunca mais quer viver a tal maldita experiência outra vez. Eu sou daquelas que tem medo. Eu sou daquelas que não vê esperança e que acha que a liquidez já tomou conta desse mundo. Tudo dilui rapidamente, num piscar de olhos. Eu diluo vagarosamente, pois sigo vivendo e me reconhecendo. Eu vou me diluindo em pequenas quantidades, e julgo quando e com quem vale a pena tentar. Parece um jogo, em que eu fico contando as fichas que me restam antes de virar pó.

- Por Thamara Venâncio.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Empty heart in a cage...

Eu deitava na minha cama, depois de passar a noitada bebendo e andando de bar em bar pela cidade. Eu deitava, e mesmo drogada e bêbada não pegava no sono, apenas passava minutos pensando no vazio que era a minha vida. Pensava nas minhas amigas que namoravam há muito tempo e voltava a pensar na minha incapacidade de manter algo longo e duradouro com alguém. Lembrava das vezes que me senti em pedaços sempre quando algo que eu queria que desse certo ia por água abaixo. Eu passava essas manhãs que eu chegava em casa, não tentando dormir, e sim tentando entender no que eu me transformara. Nessa coisa fria, sem calor, que quase sem expressão, já não demonstrava nenhum interesse por ninguém. Esse ser que já conhecia tanto dos seres humanos e que só via neles pessoas normais, fadadas a cometerem os mesmos erros, destinadas a serem só pessoas. Enquanto acordada, pensava nessas questões, tentando colocar minha incapacidade de me relacionar nos outros, nunca assumindo meu próprio erro. E enquanto dormia, sonhava com o relacionamento perfeito com alguém criado pelo meu subconsciente, que a cada dia se tornava mais perfeito, me distanciando cada vez mais da realidade. E analisando o que tornei, nessa sociedade corrompida em tantos aspectos, só digo que, sou um fruto da inconsistência e loucura desse novo século Onde o relacionamento consigo mesmo é melhor do que com qualquer coisa que seja real e que aparenta mesquinhez, egoísmo, estupidez e ignorância. Minha gaiola é o passado, e eu sou um pássaro preso nela. Às vezes vou em encontro com a multidão, apenas para me perder nela.



- Por Thamara Venâncio

domingo, 9 de novembro de 2014

Let me in

Nenhuma fórmula para conviver em sociedade, nenhum parâmetro a ser seguido. São tudo evidências deixadas pra indicar um caminho que não existe, pois ninguém nunca o encontrou. A dinamicidade, a correria, tudo é muito rápido nesse mundo novo. Tudo é muito superficial, a intensidade é somente subjetiva, ninguém adentra. Sabe-se de tudo um pouco, mas nada muito. A superfície é contemplativa, e a profundeza, perigosa. Sabe, não há volta, me perdi lá dentro. A curiosidade e sensação de vazio me fizeram ir longe demais. Eu me perdi, e só me resta viver lá dentro com os poucos que também se aventuraram. Os livros, os filmes, as músicas, são organismos mais que vivos para mim, eles respiram. O contato com eles é intenso, muito mais que com qualquer ser humano, e eles não me empurram para fora, eles me deixam entrar.


- Por Thamara Venâncio

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Inside

Os desencontros que afetam a razão do que poderia ter sido e embaralham a alma em um fato não vivido, a ponto de não saber mais distinguir sonho de realidade, que nela, por sinal, nada acontece. Os eventos cotidianos trazem conhecimento, porém nenhuma forma de contato que pode avivar o toque, nem que seja repentinamente. Os sonhos que mesclam fatos vividos com aquilo que sonho acordada, quando a imaginação flui positivamente, dando um toque romântico até quando te lançam rapidamente um olhar doce. Ela vai além, e molda toda uma situação em que tudo fica bem. E tu sorri. E tu imagina. E tu entristece. Pois ninguém mais a viveu junto de ti. E tu sofre, se sentindo mais sozinha. E o pensamento, reaparece. Nesses teus sonhos. Que já não se distinguem mais. Se é verdade ou imaginação. A perdição do ser se dá na forma de fugir de algo que os assombra, fazendo que cries uma outra dimensão, que resides dentro. Lá dentro. No vazio. É fácil se perder. É fácil criar. Espero que aches o caminho de volta. Os sonhos são confortáveis. Mas não há nada como a realidade. Sinto sua falta. Se resolver voltar, te espero.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Vou embora, depois feche a porta...

Eu poderia rir milhares de vezes nessa vida, mas não chegariam a valer os choros que tive. Ser feliz é uma escolha? Ser feliz é um momento, ou você está, ou não. Há certos acontecimentos na vida que te impedem de ser feliz, e são neles que se percebe que a felicidade não é uma escolha. Como posso estar feliz com tantas mentiras? Não quero mais pensar o que se passa na mente dos outros, sinceramente eu cansei de supor que as pessoas são como eu, e que não há maldade nelas, capaz de ferir alguém. Sinto vontade de viver em mentiras, não queria nunca saber a verdade de nada, pois já não acredito mais na capacidade das pessoas se amarem, e as minhas esperanças vão se derretendo cada vez mais. Eu tampo meus ouvidos, e a minha cabeça grita absurdos, eu não quero ouvir, só quero ir embora de mim, como se fosse depois de uma noite de sexo, quando se diz: "Eu vou embora, depois feche a porta". E à partir daí nunca mais se vêem. Vazio.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

13 de Novembro

É claro que eu seria do contra né?! Eu to acostumada a sempre ser uma das primeiras a te desejar feliz aniversário da forma mais fofuxa que posso ( lembrando que mesmo assim te liguei, porque não resisti), mas dessa vez quis fazer diferente, quero fazer valer os últimos minutinhos do seu dia... Vamos la! 

Que você continue sendo essa COISA-TÃO-GRANDIOSA-QUE-NÃO-SEI-NOMEAR, que me conquistou! Essa bitch que me ajudou tanto a crescer... e em quem eu muito já me espelhei.
Você foi uma espécie de irmã mais velha que eu nunca tive. Alguém que eu não queria decepcionar, alguém que eu sempre quis que tivesse orgulho de mim, e ainda quero. Você me deu um amor puro, e foi recíproco desde o começo. E é o mesmo amor até hoje.
Você compartilhou comigo a sua vida, e eu te devolvia da mesma forma...
Olhando pra trás, é nítido pra mim, em cada momento da nossa amizade, que eu sempre te amei, e nunca tive raiva de você, nem por um minuto sequer... nem quando você ficava resmungona por estar cansada e estressada, nem quando tinha seus momentos de silêncio... nem quando enchia meu saco cantando desafinada ou falando, irritantemente, sem parar!
Te amei quando você me mostrava seus desenhos empolgada, te amei quando me mostrava o caderno com exercícios de hidrostática, animada com o cursinho... te amei quando se decepcionou por não conseguir bem o que queria e te amei mais ainda quando percebeu que também poderia amar o que a vida te ofereceu. Te amei quando cantou creep igual uma taquara rachada até dormir... quando me procurou triste porque bebeu um pouco alem e fez merda, e jogou o celular no boeiro ( kkkkkkk eu nunca vou esquecer isso).
Eu te amava a cada e-mail que a gente trocava, uma se preocupando com a vida da outra, sem deixar de dizer bom dia um dia sequer, sem deixar de ouvir a dor e a alegria uma da outra. Te amava ouvindo fascinada sobre seus exoterismos, que me cheiravam mais a uma loucura que também vivia em mim.

"De todos os loucos do mundo eu quis você
Porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha
De todos os loucos do mundo eu quis você
Porque a sua loucura parece um pouco com a minha".

Te amava quando montava os sorvetes mais bonitinhos, quando tomava café com água fria e muita açúcar... quando vinha me contar excitadíssima sobre um novo livro, ou sobre uma nova coreografia que estava aprendendo...
Apesar de me irritar muuuito, também te amava quando virava pro lado e começava a babar nos primeiros 5 minutos de algum filme que a gente ia assistir junta.
Enfim, te amei em todas as lembranças que consigo ter... que são muitas!
E eu nos vejo hoje, e vejo o quanto te amo ainda.
Pra sempre.
Você é uma IRMÃE!
Cuida de mim, e eu cuido de você! Sou seu esquilinho e você é meu patrickinho babão!
Eu e você!
Vou estar com você pra tudo, não importa a correria cotidiana, não importa a distância... precisou eu estou aqui!
Nesse aniversário eu só preciso te desejar saúde, porque você é forte pra conquistar o seu sucesso, e é pura pra ter amor aonde quer que vá!
Eu queria poder estar com você e te dar um mega abraço de esquilo do mar, e usar aquela frase com "anguzinho" pra gente rir... mas a gente comemora assim que for possível!

PARABÉÉÉÉNS PATRICKÃO! TUDO DE MELHOR QUE A VIDA POSSA TE OFERECER!

Beijos do seu esquilinho preferido 

Ps1: escolhe logo seu livro por favor porque eu preciso comprar pra chegar logo.
Ps2: fala que o parabéns da Julia é mais bonito agora 

Ps3: desconsidere os erros de pontuação e gramática... me dê licença poética. Veio tudo do coração.

Com amor, Liz.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Se pudesses ver sua aura sentiria as sensações variadas que sinto quando a vejo. As cores que a rodeiam parecem dançar ao som da mais linda melodia, num compasso que me envolve de todas as formas possíveis. De cores fortes, mas também há a falta delas, quando se entra em estado de paz. Mas não é só calmaria de que ela vive, o negro a rodeia de tempos em tempos, delineando o seu mistério, que me entrelaça cada vez mais. Aura àquela de que já passou por muita coisa, mas que mesmo assim não se deixou abalar, fortalecendo-a. Há quem não acredite nessas sensações que digo quando a vejo, uma mistura de amor doce, confiança e respeito. Tudo nela está ali por algum motivo, envolto de algum mistério ou mágica, sei lá. Inúmeros aspectos que percebo nela me fazem querer ficar observando-a por horas, às vezes até me perco imaginando todo um envolvimento, e quando percebo estava somente na minha cabeça, porém acontece de forma tão clara e singular que me arranca suspiros como se houvesse acontecido de verdade. Ah! Aquela menina... Doce e meiga, mas ao mesmo tempo esperta e corajosa. De alta sensibilidade para com a natureza, porém altamente racional para com aqueles de sua espécie. Sabe que nesse mundo, que percebeu estar de cabeça para baixo, não se deve depositar confiança de imediato sem antes conhecer bem o carácter e a índole de cada um que se aproxime, tem um quê de manter os outros à distância, preferindo em muitos casos somente a presença de livros. Muito esperta de sua parte, mas nem sempre fora assim, o aprendizado veio com experiências fortes de desencantos daqueles que amava e julgava receber tal amor em troca. Em sua aura posso ver as cicatrizes deixadas por tais enganos de uma alma que um dia fora limpinha, clarinha. E agora é um turbilhão de emoções fortes que eu me deparo e vibro ao reparar, me contendo em ir logo curar suas cicatrizes, fonte de amargura e tristezas, que tocam profundamente o meu ser...


-Por Thamara Venâncio.

domingo, 1 de setembro de 2013

É isso aí...

Voltei a escrever. Voltei porque não há mais amor, nem vida corrida, nem maior distração. Aliás, correria até que há, muita, mas ocupação maior que o amor propicia à nossa mente, impossível, e isso hoje não há, não mais.
Quando estamos amando, passamos um precioso tempo recordando o que se viveu e até mesmo fazendo algumas modificações imaginárias na cena já vivida, o que muitos chamariam de acreditar nas próprias mentiras, mas eu chamo de se iludir pela inexistente perfeição daquilo que já foi vivido. E quando não estamos pensando no que se viveu, estamos pensando na tal pessoa no geral, e se ela não nos procura uma dia ou algumas horas, aí então que a mente não pára. De pensamentos de preocupação, zelo, dor á ódio, tudo se passa pela cabeça ao sentir essa curta rejeição.
Há um ano eu não escrevo nada por aqui. Logo eu, que costumava passar o tempo todo refletindo sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre o amor e imaginando maneiras de descrevê-los por aqui, não superficialmente ou com suas características totalmente perceptíveis, mas sim por dentro, que ainda é a parte que mais me interessa em algo ou alguém. Pra mim vem sempre a dúvida do que se passa por dentro, do que o outro pensou do que ele sentiu e neuras do tipo “Será que ele não pensa, não sente, não percebe ou só faz isso tudo sem nem mesmo saber que é algo que realmente me importo ? ’’
Voltei a escrever porque assim organizo melhor meus pensamentos, minhas neuras, meus traumas, minhas dores existenciais - que ultimamente têm sido tantas - meus sentimentos, minhas ilusões. A vida tem sido um tanto difícil e guardar toda essa confusão dentro de mim tem doído um pouco, por dentro, por fora, por todo o meu ser. Será que a vida segue um roteiro pré-determinado como todos dizem por aí? Porque se for, eu que adoro cinema e amante da crítica de tal, digo: que roteiro desgraçado esse meu? Sabe o que é ter o amor e perder? Amar e não ser amado? Procurar incansavelmente e só encontrar gente babaca por aí? Ou mesmo conviver a cada dia com gente que só quer te ver pelas costas, gente maldosa, sem escrúpulos, apenas ligada á futilidades? É, a vida não tem sido das melhores. A sorte me alcançou, mas logo fez questão de partir.

Acho que quem nasce com uma alma sensível como a minha, não nasceu mesmo pra ser feliz, afinal, o que seria da arte sem os textos, livros, pinturas, músicas, letras de quem nunca sofreu de verdade?


-Por Thalita Santos

domingo, 26 de maio de 2013

Hoje o dia amanheceu bonito, reparei. Talvez tenha amanhecido bonito em outros dias também, não sei. Há tempos que a sensibilidade me escapou, escorreu por entre os dedos, e se foi. Tinha por hábito reparar tudo que era simples, mas durante esse tempo que passou me recusei a aceitar tudo que me tocasse fundo, que me sensibilizasse de uma forma ou de outra. Talvez agora eu esteja aberta novamente, para novas experiências, desafios. Eu gosto de tentar, mergulhar fundo em mares desconhecidos. Nunca foi de a minha natureza viver escondida durante muito tempo, apenas o tempo suficiente para que eu me conserte, demora um pouco, porém o trabalho sempre fica pronto em algum momento. Eu tenho meus problemas, como todos, e sei como resolvê-los, porém, o que vejo por aí, é uma imensidão de pessoas quebradas, que não sabem e nem tentam se consertar. Seres humanos incapazes de se abrirem para conhecerem a si mesmos. Patéticos. Não conhecem nem a si mesmos, como ousariam conhecer o próximo? A alma é muita complexa para se desvendar facilmente, e é sempre bobagem achar que já se sabe o suficiente, pois ela está em constante mutação. Nós estamos em constante mutação. Talvez parar para pensar um pouco não faça mal a ninguém, não queira ser o que por aqui, eu tacho de patético. Perdão se estou sendo rígida demais, pois acho que todos deveriam ser um pouco consigo mesmos. É a evolução. E ninguém evolui parado. Eu só queria que as pessoas parassem de reclamar um pouco e agissem. Não há mal algum em correr atrás dos seus sonhos. E você pode fazê-lo, se simplesmente parar de sentir dó de si mesmo.


-Por Thamara Venâncio

sexta-feira, 22 de março de 2013

Partes que vão e que ficam ..

Uma parte ia, a outra permanecia. A que permanecia, se escondia. A que ia, nunca mais era vista. A que permanecia sentia muito, pela outra parte ter partido. Ela sentia falta, medo, frio. Aquela parte aprendeu com seus erros, ela aprendeu, a nunca mais deixar ninguém entrar. Ela aprendeu, que por mais lindo que possa ser estar junto, não vale a pena, pois não valeu ver a outra parte ir embora, e ficar aqui sozinha, escondida, com medo, frio, e muita saudade.
As partes que vão, não voltam, aprendeu ela.


-Por Thamara Venâncio

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Não fosse isso e era menos. Não fosse tanto e era quase.

Sabe, tem sido vazio essa espera, que eu não esperaria nem se estivesse esperando. Mas ainda espero, por mais que teime em dizer pra mim mesma que não, pois meu orgulho não deixa. Dá uma vontade de ser mais aberta e poder dizer tudo que eu sinto sem ter medo de perder o pouco que ainda tenho. É isso, não é nem orgulho, é medo. Medo de dizer tudo que passa na minha cabeça e você se assustar e ir embora, assim como tantos outros. Parece até que eu já aprendi a sofrer apenas quando quero. E se torna sufocante essa espera, a troca de poucas palavras, o choro entalado, querendo sair, mas não deixo. Pois bem sei que isso é uma coisa que dá e passa. Porque se tiver que acabar  por aqui mesmo, que seja, é sempre assim. As coisas acabam, ficamos um tempo mal, e depois só resta aquele vazio, pra logo iludirmos novamente, como um ciclo que nunca acaba. Pois bem sei que sou daquelas que me despedaço para nunca machucar alguém. Sabe, eu sempre pensei que não precisava ser sempre assim, sempre me esforcei pra entender porque as pessoas simplesmente não se dão bem, há sempre algo no caminho, atrapalhando, impedindo, a distância talvez. Há algo que não deixa ser, as pessoas não se deixam ser. Me deixa ser? Em troca eu seja.......



-Por Thamara Venâncio

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

New year ..

Não ando me importando com nada que eu possa controlar, não ando fazendo projetos pensando no futuro,  ando apenas procurando seguir uma direção que nem sei se existe, tentando acolher o certo e deixando de lado coisas mesquinhas e fúteis. Percebi que não preciso de muito para ser feliz, talvez só um tempo frio, cachecol e chocolate-quente. Sabendo que pouco posso ter dessa vida, sigo em busca do sucesso da realização interior, aquela que julguei ser a mais importante pra mim no momento. Respiro às vezes porque tenho que fazê-lo, muitas vezes a vontade é desabar, e acontece. Entendi que não preciso ser feliz o tempo todo, que não preciso estar sempre com um sorriso no rosto e o olhar brilhante, e que às vezes cairei em desespero e tenho que dizer para mim que ficará tudo ok. Senti na pele que não há como exigir um amor infinito de ninguém, pois não existe, mas é preciso amar o momento até quando puder, e mais do que isso, é preciso dedicação, e não há como exigi-la se você não se dá o respeito. Aprendi que os conceitos e sentimentos vão nos guiar por toda vida, e é importante estar atento a eles. E finalmente fico contente em não precisar me controlar para ser qualquer coisa que eu não seja, pois não vou, eu sou o que sou, mudarei com o tempo, mas nunca deixarei minha essência de lado. E que venha mais um ano. Que Deus continue me abençoando. Assim seja.




-Por Thamara Venâncio.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Descaso..

 Sinto que ter meu coração puro, mente aberta e alma despida foi a receita perfeita para viver sempre em cacos, já até me acostumei.Sempre espero um mínimo de esforço dos outros, sendo difícil entender suas limitações. Preciso controlar isso, sair dessa mediocridade de querer ser importante pra alguém, pois chega a ser doentio, mesquinho. Pois as pessoas não estão acostumadas a amar certo? O que eu vejo são só destroços, daquilo tudo que se doa e não recebem, devolvem. E minha indignação não tem motivo, então quem se importa? Nem eu me importo comigo mesma mais, já passei por muito, o que vier de descaso eu ignoro, mesmo não sabendo fingir. O que pra você pode parecer algo pequeno, bobo, irrelevante, para mim é algo de grande porte, pois admito, tenho medo, e o medo me repreende, eu não quero passar pelas mesmas coisas de novo. Entenda isso, e ignore meu jeito rude de dizer. Ser tratada como segunda opção não outra vez, não. Me dê tempo, que passa.



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domingo, 25 de novembro de 2012


"-Até logo ... não foi nada ...
-Meu Deus!
-Até logo ...
Quando a porta fechou-se,
ela ficou ainda um tempo com o sorriso no rosto.
Alçou os ombros ligeiramente.
Foi à janela, o olhar cansado e vazio:
-Talvez eu deva ouvir música."


-De Clarice Lispector, do livro 'Perto do coração selvagem'.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Paz ..



Parece infantil e talvez seja mesmo,  por horas penso que evolução não está no caminho da maturidade e sim na leveza de uma criança, na desimportância real dada a assuntos passados. No esquecimento, no desapego e no sono. Estou sofrendo de uma felicidade consciente, com noção de causa e conseqüência; conquistada com algum custo, seguidas reflexões e profundas elaborações. Estou tomada por um prazer calmo, livre de euforia e precipitações. Para ser sincera, todo esse bem não provém  de nenhum ganho de fato, na verdade é tudo fruto de seguidas perdas. Do abandono de idéias, conceitos, regras, sonhos e sentimentos. É um completo desapego, até da idéia que tenho sobre mim mesma, até da ideia do que pensei ser um dia, acabou, quebrei as minhas regras, fugi dos meus aspectos, me livrei dos meus medos. Agora, sinto a liberdade como uma permissão à felicidade, como um ato de descompromisso as cobranças sociais, pessoais e sentimentais. Poucas coisas são mais agradáveis do que conhecer alguém e poder ser quem você é. Agradar, desagradar, conquistar, irritar...Ah! Irritar, o adoro fazer, piadas idiotas, misturadas com humor ácido, gosto disso nele ... Pois o que importa  é abandonar o conceito de parecer ser qualquer coisa que seja e não ser você mesmo. Não falar seu nome, não comentar sobre trabalho, religião, nem gostos nem nada...Liberdade! Hoje não quero ser ninguém mais do que essa pouca coisa que estão vendo. Não tenho passado, nem futuro. Eu não sou ninguém! Nenhum brilho se perdeu no caminho, sinto-me tão leve quanto alguém que ama independente do retorno. Sinto-me como um bicho dócil, com algum sono e muita calma. Estou de bem com todas as partes do meu interior. Meu coração está calmo e apesar de algum amor presente estar em conflito isso é coisa pouca, tão pequena que mesmo a considerando, sinto-me em paz. Numa profunda paz.

domingo, 16 de setembro de 2012

Adeus ..

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação. Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho? Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


-Rubem Braga -Extraído do livro "A Traição das Elegantes".

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Silence ..

E eu continuo não encontrando nada. Só desespero, dúvidas, depressão, crises, noites em tormenta, solidão. A cabeça grita, quase explodindo, é muita imaginação, coisa inventada, que não me deixa em paz. Nada de fato acontece, não na realidade, mas acontece, na minha cabeça. Loucuras criadas por mim, torturas. Nada enfim dá certo. Eu me atrapalho. Me envolvo. Me desespero. Para logo me afastar, fugir, abandonar. Pois o vazio não preenche, no início é um leve sopro de luxúria, com os corpos entrelaçados, se encaixando, ocorrendo tudo bem. Porém depois, nada. Somente a solidão e o vazio. Nada de paixão, muito menos amor. Murmúrios de prazer, o resto é silêncio.



Por Thamara Venâncio.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Única ..

Vivemos tanta coisa ao longo dos dias, que vai passando e vamos nos esquecendo de botar essas vivências entre linhas, sabe, contar um pouquinho como foi, apenas na esperança de que alguém veja um dia e talvez ajude em algo, sei lá em quê, mas esperamos que sirva de alguma coisa, de aprendizado talvez. Queria ser aquela pessoa que saiba descrever minuciosamente os acontecimentos do dia-a-dia, detalhar cada minuto/segundo vivido, descrevendo coisas que no momento parecem ser tão significativos sabe, aqueles gestos, olhares, toques. Parece tão importante no momento, que o que chega a ser importante nunca descrevo, deixo passar. Tanta coisa passa, que parece nada ficar, mas no fundo sei que fica, em algum lugar da memória ela está, a lembrança. Os sabores, as carícias, os cheiros, eles ficam em algum lugar do sentido, esperando serem ativados, para dar vida àquele momento, que um dia fora único. Mesmo que nem todos se lembrem dele, em alguém lá ele está.



-Por Thamara Venâncio