sábado, 21 de abril de 2012

Estou cansada de dizer pra mim mesma que vai passar ..
Nunca vai se eu não mudar,
e eu mudo,
só que pra pior.

domingo, 15 de abril de 2012

Is this It?

Se isso for tudo, então a única coisa que me vêm a cabeça para fazer é me despedir, não espere, não chegaria a ser nem uma despedida, não chegaria a tanto, apenas sairia à francesa como sempre fiz, de fininho, sem você mesmo perceber que um dia estive aí. Não vai chegar nem a doer prometo, é tudo psicológico, nada dói afinal, é tudo coisa da cabeça de cada um, pois quando digo que dói, não dói, nada do corpo, nada físico, chega a ser uma dor imaginária, mas que digo que dói mais que cortar a própria pele. Desculpe, dei meu máximo, não posso      oferecer mais do que disponho, se você ao menos tivesse feito a tua parte, mas não, nunca ninguém faz, você não fez, e me culpo por me doar demais, talvez os erros sejam todos meus, que ser humano hoje em dia se dá tanto? Penso que os seres humanos não sejam mais tão humanos assim, já chegam a agir ciberneticamente, como se fossem robôs. Mas esse nem é o ponto, pode-se ver que estou tentando, escrever sem reticências, porque ainda espero que você seja uma, no fundo não quero pôr um ponto final ...


Por Thamara Venâncio

sábado, 14 de abril de 2012

Shadow ..

Pensando na vida, você percebe o quanto ela é incontrolável. Basta olhar pra vastidão dos céus e perceber que dela nada sabemos, é tudo infinito, e não sabemos onde vai parar, nem sequer onde tudo começou. Se é aqui mesmo onde estamos, ou outro lugar desconhecido, se a criação foi realmente proposital, ou se partiu apenas do nada com a matéria propícia. Não temos nada mais além das dúvidas, tudo o que temos são teorias do que poderiam ser, mas ninguém nunca consegue provar nem desprovar, e acaba não sendo. Eras se passam, e nem sequer sabemos de verdade se elas existiram, apenas hipóteses. Está tudo além da verdade. O que nos resta é a imaginação, essa que criou tudo o que acreditamos hoje, mas que não passa além disso. A única coisa que tenho certeza é que tudo é incontrolável. Por exemplo, se a nuvem está cheia, o que a fará impedir que a transborde e chova? A resposta é nada. Nada impede de transbordar o que está cheio demais. Assim como lágrimas, uma hora ou outra ela cai. Está tudo além do nosso controle. Não há como controlar a alegria o tempo todo, podemos ter mil razões para sorrir, e mesmo assim estarmos tristes. Afinal, não sei qual o propósito de tudo, e é bem provável que eu nunca saiba um dia, mas seria um erro tentar descobrir? Pergunta sem respostas é o que mais temos. Tentar preencher lacunas com coisas incertas parece tolice, mas pode ser o que muitos procuram. Não adianta tentar mudar, tentar controlar, o controle não existe, é apenas um termo de privação, que às vezes se colocam em prática, e que muitos depois descobrem que não funciona. Pois como disse, se algo estiver cheio ele transborda, não se tem controle sobre isso, e mais muitas outras coisas no mundo, somos seres guiados pelas sensações. Na verdade, não se tem controle de nada, parece tudo predestinado mesmo. O destino parece ser tudo o que temos. E pra muitos não basta. Para mim já não basta mais. Vivo na penumbra, na sombra. Ou talvez todos nós vivemos, sem exceções.


-Por Thamara Venâncio

terça-feira, 10 de abril de 2012

Daí um belo dia tu é feita de idiota e se pergunta, porque eu?
Porque tem doído, e não sabia como doía.

terça-feira, 27 de março de 2012

Acordem para que eu durma ..

Mas quantas vezes a insônia é um dom? Acordar no meio da noite e ter essa coisa amigável que já faz parte de ti: solidão.
Somente os ruídos da natureza, o cantar dos passarinhos.
Todos ainda dormem, preparo meu café e tomo com gosto, toda sozinha no meu mundo.
Ninguém me interrompe o nada. É um nada tão vazio e rico.
Um nada que só encontra dentro de mim, e ninguém mais tem.
O celular fora de área, nenhuma interrupção.
Fecho os olhos para memorizar esse momento.
Depois vai amanhecendo.
Vou até a janela e talvez eu seja a única a ver a lua se pondo e o sol nascendo, todos acordando, e eu ainda indo dormir, confortavelmente na minha cama, sozinha.
E me sinto feliz por nada, por tudo, por todos!




-Por Thamara Venâncio.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Tá tudo feio. Tá tudo torto. Não tá nada bem. Não tá nada bom. Eu não deveria ter tanta confiança em mim mesma. Vejo a decepção em seus olhos. Não faço idéia do que se passa aqui.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Agradecimentos ..

A felicidade transmuta rapidamente, mas a fase é de bons fluídos, e o que eu sinto de tristeza não tem nada a ver com os acontecimentos, é algo que está preso aqui dentro, como um choro que segurei durante muito tempo, e que agora parece querer desaguar. Tenho tanto a agradecer, que não quero mais perder meu tempo reclamando de coisas que sinto e não sei o que são. Eu quero mais é abrir a janela do carro e deixar que o vento sopre e que leve todas as energias negativas que persistem em ficar. Quero manter todos que gosto perto de mim, sem fingir que não me importo. Queria poder dizer a cada um deles qual foi a importância que cada um teve ao me ajudar a construir o que sou hoje, e que eu não teria chegado até aqui sem os problemas que me acarretaram, pois foi assim que me fiz mais forte, e me preparei para o mundo lá fora, podendo dizer hoje que estou pronta, que sou uma guerreira e que nada mais vai me abalar. Estou ainda em construção, mas minha estrutura é forte o bastante para dar mais um grandioso passo. Que os anjos me protejam e os Deuses me guiem nessa minha jornada, que espero durar tempo suficiente para chamá-la de eterna.



Por Thamara Venâncio.

domingo, 18 de dezembro de 2011

She's lost control ..

Equilíbrio. Acordo pensando nesta palavra. Equilíbrio ao andar, equilíbrio ao subir o ônibus, equilíbrio ao atravessar a ponte, equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio. Passar todos os dias da semana num trabalho que você não vê futuro, gastar seu tempo em nada que te acrescenta, só diminui. Largar o cigarro porque não te faz bem. Parar de beber pra não se descontrolar, em busca do equilíbrio. Deixar as noitadas de farra por causa do cansaço, porque senão não conseguiria trabalhar bem no dia seguinte. Tudo em busca da merda do equilíbrio na vida. Se tu faz isso, não consegue fazer aquilo, e se não consegue fazer aquilo tem de parar de fazer isso. A sociedade engana, mente, e julga que o certo é fazer o que dizem. Mas a verdade é que não me sinto nada bem com essa filosofia normal de vida.
Que me dêem cigarros, bebidas, drogas, para viver uma felicidade sozinha, que é só minha, mas que mesmo assim é felicidade, pois eu sinto, e se ninguém mais sente é porque não entende, e se não entende que vá embora. Pra quê viver rodeada de pessoas se no fundo eu me sinto tristemente só? Falsidade e encenação não combina comigo. Que se foda o equilíbrio. Só queria comer a presença daquilo que sinto falta, é pedir muito? Mas às vezes o que peço parece ser impossível. E perco o controle. E fumo demais. E bebo excessivamente. Grito. Choro. Porque dói. Eu sei que dói.


Por Thamara Venâncio.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tristemente triste e só ..

Hoje eu só queria sentar aqui, e escrever nesse diário que não teria se me sentisse tão só, queria escrever que hoje estou triste, e tenho medo de amanhã acordar triste, porque já não me lembro há quanto tempo estou triste, talvez anos?
Anos, tristemente só.
E o mais triste era saber que a solidão é uma escolha, e que eu escolhi ser assim tão só apenas por medo de tentar de novo, porque dói quando não dá certo, e eu tenho tanto medo de me ver destroçada novamente, e me enfiar de novo no vazio da solidão mais uma vez, com um furo a mais no peito, sabendo que talvez seja predestinada a ser assim mesmo tão só.
Mas o que mais dói não é a  certeza, o furo no peito, e sim as lembranças, de algo que começa bonito, clarinho, bem limpinho, mas termina feio, escuro e sujo.
As lembranças que deixam um vazio no peito, parecendo que tudo não passara de ilusão, pequena encenação de marionetes num teatro, totalmente desprovidas de sentimentos.
Eu não sei o que pensar, até isso parece doer. A cabeça martela tentando encontrar uma saída, uma resposta, mas ela não há.
Sou forte, mas não lido bem com perdas, e nunca vou lidar, e por medo de perder eu procuro não me envolver, mas chegará o dia que não terei nada a perder e é nesse exato momento que prevejo as coisas ficarem pretas.
Tá vazio? Tá.
Tá doendo? Tá.
Mas ficaria pior se acontecesse de novo.
E eu luto para que isso não se repita.
As lágrimas são minhas, e sou eu quem decido se elas rolarão ou não.
Nenhuma alma tem o dom de saber o que a outra já passou nessa vida ou em outras, por mais que se conheçam.
Por isso não julgue, não difame.
Eu escrevo para tentar tirar o peso, poderia até começar aqui com um 'querido diário' à moda antiga para soar mais bonitinho e puro, mas não há nada de bonito nisso, parece mais uma maldição de ter que desabafar em algo, qualquer pedaço de papel com uma porcaria de lápis qualquer, apenas pra desabafar, mesmo que ninguém veja, mesmo que você não veja. Pois somos tão jovens, e já desaprendemos a amar tão cedo. Porque o que parece ficar na verdade são só os maus momentos, os bons viraram fantasias, e estão nas histórias que contam para crianças dormir.

Por Thamara Venâncio.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O encanto da conquista ..

Gritarias, escândalos, brigas, disputas, competições. Esta última sempre foi e sempre será a coisa mais ridícula diante meus olhos. Sempre quando me vejo no meio de uma dessas me retiro, não quero ter a sensível e relutante sensação de que fui apenas mais uma delas, e tampouco participaria de uma, jogaria baixo, passaria cartas debaixo da mesa pra ganhar uma. Competição, será que nunca entenderão que só se consegue ter ao lado aquilo que cativas? Não adianta correr atrás, fingir ser o que não é, tentar agradar de várias formas, quando se perde algo é melhor tirar o time de campo, porque já era, bau bau, escafedeu-se, foi-se embora, perdeu pra outra, e não adianta pintar a cara, se encher de brilhos falsos, meter aquela roupa curta no corpo só pra tentar ficar mais bonita, porque não adianta, se o que ele sente pela outra que conheceu a dois dias é mais forte do que nem chegou a sentir por você em meses, como entrar nessa competição? Pessoas não estão nessa linha de disputa, ou você as cativas ou não, se você o ama e ele não, fazer o quê? Bater o pé, espernear, choramingar nessas horas não adianta. Tente amenizar a dor sendo amigo. É idiota quem acredita na velha e chata história de que ex ficantes apaixonados não podem ser amigos, coisa chata cheia de blá blá blás, chega uma hora que tem de crescer a mente, mostrar mais desenvoltura com os pensamentos, isso aí na sua cabeça não é só massa não, é feita pra pensar e usar pra se aplicar na vida real, é lindo ter um mundo cheio de fantasias imaginado só por você, mas e daí? Vai ficar nisso pro resto da sua vida garota? Tu não cansas de se sentir vazia o tempo todo? Faça do seu mundo real, use de seus aplicativos para conquistar, antes que apareça outra que tome o seu lugar, mostre que você tem valor e merece ser no mínimo respeitada, façam que te enxerguem, tire essa capa de invisibilidade que tu criaste, e conquiste. Pois sim, há uma grande diferença entre competir e conquistar. Pois aquilo que conquistas não se vai, tu se tornas eternamente responsável. Tenha o prazer de poder proferir estas palavras: Eu conquistei/Cativei. E sinta o encanto de tais.




(Usando da filosofia de Antoine de Saint-Exupéry)



Por Thamara Venâncio.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Iniciação ..

Há dias que parecem estar tudo de cabeça para baixo. Os maus olhares, as intrigas, a inveja, faz com que creias que todos os seus sonhos são uma verdadeira farsa. Daí tu perde o brilho, as esperanças, a fé, e se desespera achando que não vai conseguir, e ao pensar nisso esta dando um passo para trás e atraindo forças negativas para sua alma, fazendo com que não consigas realizar aquilo que deseja. É assim que funciona a maldição das más línguas. Tu tens que saber que nasceu predestinado, e enquanto não cumprir sua missão cairá em desespero, tens que lutar, vencer, ser guerreiro, pois a vida não é fácil, e os obstáculos que temos que enfrentar diariamente que nos julgará se somos fortes o suficiente para ter a dádiva de ser completo, de ser cheio de magia. Busque em si sua essência, siga o fio da vida pra abranger os caminhos certos e não se deixe levar por forças obscuras, negras. Use seu intelecto e observe que pessoas que se deixaram levar por este lado não conseguiram o que queriam e tampouco tiveram um final feliz. O universo é misterioso, nem sempre temos as respostas para o que procuramos, mas podemos procurar por elas e tentar responder o máximo que pudermos, e deixar para aqueles que buscam nosso mesmo caminho, o da luz. E foi o que os grandes Gênios da Humanidade andaram fazendo, buscaram respostas para suas perguntas, e deixaram um grande acervo delas na História de nosso planeta. Perder tempo com futilidades é bobagem, há tanto a ser descoberto, tanto a ser desvendado. Se não encontro minha alma gêmea e tampouco consigo me encaixar nesse mundo, porque perder tempo procurando/tentando? Sendo assim, a partir deste momento me deixo consumir pelo aquilo que mais amo, me entrego totalmente ao poder da magia. Que as forças iluminadas deste lugar me guiem para encontrar o que procuro, e peço que os anjos me protejam nessa minha infinita jornada, vida após vida. Para todo o sempre.





Por Thamara Venâncio.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Transbordando ..

"Eu pensei em dizer a ele que esvaziasse sua xícara e me deixasse entornar, gota a gota, o meu chá. Uma pena ele ter se esquecido de limpar o fundo, no qual sem querer li a borra que ficara. Eu acabei me misturando, mesmo com aquela porção de outros sabores que já estavam ali. Eu pensei então que queria que fosse recipiente limpo, vazio... mas eu já o tinha aceitado impregnado de essências... Talvez seja só saudade, nostalgia... vontade de voltar, jamais, eu apenas queria te beber mais um pouco, ler a sua mão, adivinhar teus pensamentos e provar o teu gosto só mais uma vez. Não por orgulho, você sabe... e sim porque aquelas músicas nunca mais me fizeram sentir. Era só uma porção de matéria em órbita e que vez em quando escondia minha lua... mas nunca tinha sido um sol, talvez um começo disso... quem sabe uma explosão-quase-estrela? Tanto faz. Só quero te ter em mais uma noite de lua cheia, com a chuva escorrendo lenta pela janela, pra te mostrar que o que ficou em mim não tem semelhanças com dor, mágoa, tampouco amor e  desencanto, talvez seja paz, e uma sede insaciável de te possuir, uma última vez. Isso é mais que uma promessa, pode chamá-la de profecia."



Café por Lizandra Lima e uma colherinha de açúcar por Thamara Venâncio.

sábado, 8 de outubro de 2011

Meu muro ..

Totalmente inerte, vencida pelo cansaço, era assim que me sentia, fora os pesadelos que me tiravam o sono me fazendo ficar acordada até tarde. Caminhei pela casa e me assentei na escada da varanda e me pus a contemplar as estrelas, a lua estava fora do meu campo de visão. Peguei o isqueiro, acendi o cigarro, traguei, tossi. Uma alma pesada num corpo leve. Muitos pensamentos guardados num local pequeno demais. Assim como livros encurralados numa pequena estante, amassagados, sem vida, esperando uma brecha para se libertarem. Escorpianas passam sua vida tentando entender as mentes alheias, li outro dia, não me lembro aonde. Quem se importa se tento ou não decifrar o que se passa na cabeça dos outros? Pois digo que poderiam me dar milhares de vidas que não conseguiria. Eu não penso igual a eles, eles sequer imaginam o que se passa na minha mente. E isso é tudo. Quem sabe não é melhor assim? Vou continuar com meu muro, comigo de um lado, e eles do outro. Não quero perto o que não entendo. Já me fizeram tanto mal um dia. Mas não sou de guardar rancor, tento tanto ser sempre a mais compreensível, aquela que guarda as dores para si e alivia os erros dos outros, tento. Obrigo-me a ser por vezes, por poucas vezes aquela que veta. Aquela que cansa, aquela que escreve um ponto final. Não sou do fim. Eu crio laços, eu gosto, eu amo tão profundamente que não sei medir perdões. Tudo parece valer um sacrifício maior do que seria possível. Tudo parece ser feito para esquecer. E eu mais pareço uma manteiga derretida diante daqueles que deveria sentir ódio ou raiva. Não consigo. Mas também não devo mais me juntar a eles, por isso o muro. Eu não quero mais me sentir como se estivesse sempre errada, por mais que achasse estar fazendo o correto, mas o correto não é bem visto nos olhos deles. Então para mim não serve. Eu não queria ser tão sensível, não queria entender as entrelinhas, mas Deus me fez diferente, e me julgam ser estranha. Dói, mas a dor é um sentimento que insiste em passar. E passa.



Por Thamara Venâncio.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tempestade de almas ..

Diga-me por favor que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora.


Nada mais tenho a ver com a validez das coisas. Estou liberta ou perdida. Vou-lhes contar um segredo: a vida é mortal. Nós mantemos esse segredo em mutismo cada um diante de si mesmo porque convém, senão seria tornar cada instante mortal.

Mas se não compreendo o que escrevo a culpa não é minha. Tenho que falar pois falar salva. Mas não tenho uma só palavra a dizer. As palavras já ditas me amordaçaram a boca.

Hoje é dia de muita estrela no céu, pelo menos assim promete esta tarde triste que uma palavra humana salvaria.

Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. Mas o segredo, este não vejo nem sinto. O futuro é meu enquanto eu viver. No futuro vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada escrever. Eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. Aliás eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. Tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia?

Vejo as flores na jarra: são flores do campo, nascidas sem se plantar, são lindas e amarelas. Mas minha cozinheira disse: mas que flores feias. Só porque é difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta?

O monstro sagrado morreu: em seu lugar nasceu uma menina que era sozinha. Bem sei que terei de parar, não por causa de falta de palavras, mas porque essas coisas, e sobretudo as que eu só pensei e não escrevi, não se usam publicar em jornais.




Por Clarice Lispector.

domingo, 18 de setembro de 2011

Saia de casa ..

Porque isso é uma espécie de tudo e não é nada. Quero dizer, quando eu penso em minha vida e quem eu sou, eu acho que estou apenas lutando para acreditar em tudo, sabe? Que as coisas boas vão acontecer a pessoas boas, que as coisas irão funcionar, que ficará melhor. Me perguntaram o que me dá medo a ponto de me deixar assim. Falha. Eu acho. Todos nós lutamos. É parte da vida. Faz parte do viver. Eu não tenho ninguém que pode me ajudar enquanto luto, e essa é a pior parte: a solidão. A esmagadora e escura solidão, que me faz sentir como se não existisse mágica no mundo. Eu sei que o futuro é assustador. Sei que o mundo pode ser ameaçador. Mas devo saber que às vezes quando as coisas parecem mais desesperadas, pessoas me encontrarão. A ajuda está lá fora. E eu não estarei sozinha.




.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Atrasa ..

A pressa de querer beber tudo num gole só. Há pressa.
Apressa por favor,
os dias que passam devagar
enquanto eu teimo em não esquecer seu rosto.
Apresso-me em maneiras de fazer você se lembrar do meu.

Tudo que chega-me e de certo me encanta, não persiste.
Não fica.
Tudo aquilo que faz meus olhos brilharem tem pressa de partir.
Adianto o adeus, quase imploro para ouvir um tchau que eu mais gostaria que ficasse.

Fica de uma vez.
Eu sou de criar laços,
De perder tempo
E o jeito.

Eu devo ter feito tudo errado,
Eu sempre faço tudo errado.

Dou-te uma borracha
E mais uns dias.

Atrasa por favor,
Esse tempo que me faz esquecer de tudo e de todos.
Eu não quero esquecer.


P.F.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Estado vegetativo da alma ..

Estou em um estado emocional vegetativo, em que nada me entretêm.

Minha alma se desprende do corpo e vaga por aí, perambulando, tentando encontrar respostas que não sei se existem.
Meus olhos se paralisam em estado de choque e as lágrimas se desprendem. Numa espécie de espanto noturno.
A culpa, a decepção, a falta que sinto me pisam tão profundamente que parece esmagar cada pedaço do meu corpo.
Esse nó que se atou em meu peito só é desfeito por alguns segundos em contato com alguém em especial, mas depois ele se ata novamente, embrulhando a boca do estômago.
Essa bebida amarga que degusto só me aumenta essa dor, aperta, espreme, tirando toda gota de lembranças boas.
Já não me lembro delas.
Não me lembro de nada.
Me cansei das palavras, mas estou repleta delas.
Me cansei das bebidas, mas me parecem a única solução.
Me cansei daqueles que me fizeram sofrer, mas estou rodeada deles.
É como viver cada dia da tua vida tentando esquecer, e tendo que conviver com aqueles que te fazem questão de lembrar.
Fazem questão de esfregar na tua cara o que tu realmente é.
Apenas mais uma em bilhões de pessoas que não consegue se adaptar neste mundo.
Tendo que explicar a estes tolos os motivos de seus risos, de suas lágrimas.
Mas a verdade é que, se eu contasse ninguém entenderia.
Se eu contasse, ninguém se importaria.
Se eu contasse, eu não me aguentaria.
Assim como uma ampla história que você imagina, mas logo depois esquece.
Como um livro elegantemente encadernado, mas numa linguagem que eu ainda não sei ler.
Pois meu peito ainda sofre por amores vãos.
Meu espanto fora tão grande de saber que eu era, mas acabaria um dia não sendo mais. Esse era meu medo, não ser mais. Hoje só preciso me dopar desses remédios que odeio.
Eu tenho que deixá-los. Eles têm de me deixar. Em paz. Comigo mesma.


Por Thamara Venâncio

sábado, 3 de setembro de 2011

Eu não estou aqui ..

Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.



Charles Bukowski


.



Olá querida,

o anjo do meu pesadelo, a sombra no fundo do necrotério, a vítima insuspeita da escuridão no vale. Podemos viver como Jack e Sally se nós quisermos. Onde você sempre pode me encontrar. E teremos o Halloween no Natal e de noite desejaremos que isso nunca acabe. Sinto a sua falta, onde você está? E eu sinto muito, não consigo dormir, não consigo sonhar essa noite. Eu preciso de alguém e sempre essa doente estranha escuridão vem se arrastando, me assombrando toda hora, e quando eu olhava, eu contei as teias de todas as aranhas, pegando coisas e comendo suas entranhas. Como a indecisão de ligar para você e ouvir sua voz de traição. Você virá para casa e acabar com esta dor essa noite? Acabe com esta dor essa noite.
Não perca seu tempo comigo, você já é a voz dentro da minha cabeça. Eu sinto sua falta.


Blink 182 - I miss you


.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Morituro ..

Por que é que assim, com suas caras imóveis e simiescas, os vivos nos devassam num cínico impudor? Por que nos olham assim – como se fôssemos cousas - quando os nossos traços vão repousando, enfim, na tranqüila dignidade da morte? Por que é que eles, com a sua obscena curiosidade, não respeitam o até mais íntimo da nossa vida - ato que deveria ser testemunhado apenas pelos Anjos? Ah, que Deus me guarde na hora da minha morte, amém, que Deus me guarde da humilhação deste espetáculo e me livre de todos, de todos eles; não quero os seus olhos pousando como moscas na minha cara. Quero morrer na selva de algum país distante .. Quero morrer sozinho como um bicho!

M.Q.


.