terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Morituro ..

Por que é que assim, com suas caras imóveis e simiescas, os vivos nos devassam num cínico impudor? Por que nos olham assim – como se fôssemos cousas - quando os nossos traços vão repousando, enfim, na tranqüila dignidade da morte? Por que é que eles, com a sua obscena curiosidade, não respeitam o até mais íntimo da nossa vida - ato que deveria ser testemunhado apenas pelos Anjos? Ah, que Deus me guarde na hora da minha morte, amém, que Deus me guarde da humilhação deste espetáculo e me livre de todos, de todos eles; não quero os seus olhos pousando como moscas na minha cara. Quero morrer na selva de algum país distante .. Quero morrer sozinho como um bicho!

M.Q.


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domingo, 28 de agosto de 2011

A história sem fim ..

E vem você gentilmente me perguntar se estou ocupada, sem saber assim que sou mesmo um pouco voada. É que ainda não me acostumei ao fato de que realmente você apareceu aqui pra me resgatar. Às vezes eu só fico esperando o momento em que você vai embora. Pois você não sabe, mas tenho essa sensação antiga de ser abandonada, deixada pra trás, como das outras vezes. E não tenho também certas esperanças mais, de que você seja feito pra mim e eu pra você, na verdade cansei dessas coisas cheias de sentimentos, expectativas falsas, enganos. Enganos que sofremos ao achar que duraria para sempre, e nada dura. Hoje, mais do que nos outros dias, tá tudo cinza, tudo sem cor, e por mais que eu pinte esses quadros nenhuma cor sobressai. E esses romances que leio não me convêm mais, acabou as expectativas de um final feliz, pois não quero chegar nele. Não vejo dor mais exasperante do que um 'viveram felizes para sempre', não quero ficar presa na página final de um livro, eu quero uma história sem fim, ao lado de quem esteja preparado. E eu ainda não sei se você está, eu ainda não sei se eu estou.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Continuarei a bater ..

Os outros dando um passo a frente e você dando dez para trás. Será que não vê que isto é auto-destruição? É sim, deixe-me te explicar detalhadamente porque bem já sei que é só assim que me entenderia. Sabe aquelas pessoas que colavam de você na escola? Bem, você já parou bem pra olhar que elas estão passos na sua frente, digo, elas estão melhor de vida do que você, emprego melhor, salário melhor, bem casadas, viajando pelo mundo inteiro. Você que sempre sonhara tanto com estas coisas agora está aí, num empreguinho de merda junto com um salarinho de merda e totalmente sozinha, entendeu o que eu quis dizer? VOCÊ ESTÁ SOZINHA! Como você está suportando isso? Logo você que vivia rodeada de gente, sendo mimada até o último fio de cabelo, falando em cabelo, que merda de cor é essa que você anda pintando seu cabelo? Sério mesmo, quando dizem que você enlouqueceu não consigo sequer discordar. Você conseguiu   destruir em um ano o que você levou a vida inteira pra construir, tudo bem, não precisa resmungar, sei bem que ele partiu e te doeu muito, mas você tem que parar pra olhar e ver que ele não era a única coisa boa que você tinha, digo, pára um pouco e olha pra mim, eu quero sua essência de volta, não, não chore, se eu pudesse eu traria ele de volta pra você, trocaria minha vida pela dele, mas eu não posso, a única coisa que está ao meu alcance é assentar aqui e te dizer olhando nos seus olhos que eu não importo se você tem um emprego de merda, um salário de merda, um cabelo estranho, não importo mesmo, eu me importo com você, pois sei bem que tu não é assim, nunca foi, as pessoas dizem que você perdeu o encanto, não é bem o que acho, pra mim você não perdeu nada, pois te vejo inteirinha bem aqui na minha frente, e nem me vem com esse papinho de que quando ele se foi não te restou mais nada além de continuar respirando, não me vem com essa de que você não vai conseguir viver sem ele, não me vem com essas ladainhas de que eu nunca passei por isso, levanta, lava o rosto, enxuga essas lágrimas que parecem que estão grudados no seu rosto desde o ano passado, acorda, pare de sentir pena de si mesma, se não quiser fazer isso por você, que seja pelo menos por mim, ou por ele, porque por mais que eu não o conhecesse sei bem que não gostaria de te ver assim, certo? A gente tem essa mania de não gostar de ver quem amamos tristes, tanto mais despedaçados igual ao que você se encontra neste momento. Eu sei que dói querida, muitas coisas em mim doem também, já passei por muita coisa nessa vida. Não, não vou te contar agora, meu foco hoje é você, porque juro, juro que nunca vi tanto talento desperdiçado entre quatro paredes, tudo bem se tudo o que eu disser a você entrar num ouvido e sair no outro, eu não me importo, porque por mais que você não ligue pro que eu disser eu continuarei a bater o pé insistindo em te lembrar o quanto você é boa, continuarei a bater na sua porta todos os dias se for preciso.......................................Porque eu te digo tudo isso? O porquê d'eu insistir tanto? bem é que ........

quarta-feira, 20 de julho de 2011

.. O silêncio em quatro paredes de um cômodo em breu, as palavras mordendo a solidão são a grande razão, a única razão. Aquilo que se fechou um dia abre. Aquilo que é escuridão pode se tornar luz. Simples faíscas brotarão e você terá amor de novo, era esta tua promessa. Apenas não se desespere, apenas ouve teu coração, ainda está a bater não é? Pois é sinal de que ainda há esperança.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sem peso ...

'Leve, despreocupada e quase desimportante.
Há uma certa apatia nesse novo jeito, nesse novo olhar.
Nem eu mesma o reconheço.
Olho no espelho e nada.
Um olhar que só olha, que apenas penetra, tenta enxergar, mas que não procura mais do que está disponível. Uma alma que flutua tão devagar com a ponta dos pés e sutilmente que quase não é percebida ao se tocar com o chão.
Troco-me, confundo, não me aflijo.
Perco-me e não me importo.
Acho-me e tanto faz.
Como gosto, desgosto.
Às vezes derreto-me.
Por vezes me deixo ser.
Outras horas recolho-me.
Não estou preocupada, não estou aflita e minhas inseguranças e medos são tão bobos que eu até os dou ouvidos. Não me pesam.
Não me importo com nada mais.
Não clamo por salvação, perdão, justiça.
Não é justo, eu sei.
Mas lutar por isso já me rancou tanta coisa boa, que me retiro.
Cansei da densidade.
Do argumento.
Da coerência.'



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sábado, 9 de julho de 2011

Perdendo a batalha ..

'A vida é engraçada às vezes. Pode ser barra pesada, como quando se apaixona por alguém, mas esse alguém se esquece de te amar de volta; ou quando a sua melhor amiga e seu namorado te deixam sozinha; ou quando se puxa o gatilho ou se acende o fogo e não se pode voltar atrás. Às vezes, é mais fácil se sentir como se fosse o único no mundo que está lutando, que está frustrado, insatisfeito, que mal está conseguindo. Esse sentimento é uma mentira. Mas eu não consigo sair dele. Por mais que eu lute e me erga toda vez depois de cair, eu não consigo. Minha armadura é fraca demais. Eu sou fraca demais. Esta batalha está perdida. Mas a guerra ainda não acabou.'


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domingo, 3 de julho de 2011

Fugindo de espaço ..

'Descontrolada e insegura de mim mesma, saio às pressas sem saber ao menos onde pisar. Sei bem que não vou encontrar o que desejo, mas continuo seguindo, com meu pensamento longe daqui. Vou avançando na calçada até o meu destino. Pego o ônibus, ouço reclamações diárias de pessoas estranhas, meto os fones no ouvido, fujo de espaço. Chego em casa, encurto conversas, entro em meu quarto; olho, observo, só pra ter certeza de que tudo ainda está ali. Abro a porta do guarda-roupa e ela ainda range. O livro ainda está sob a cabeceira. Os filmes organizados na prateleira. Tudo em ordem, havia percebido então. Coloco a mão sobre o peito, continua batendo. Levo-as à cabeça, e ela ainda dói. Uma lágrima escorre, nada secou por inteiro. Enxugando-as, visto o suéter velho do meu avô, apago as luzes, deito, fecho os olhos, adormeço e sonho. Novamente em outro espaço, tudo mais calmo e tranquilo.'

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domingo, 26 de junho de 2011

Escrevendo a mim mesma ...

Às vezes parece que meu crânio se aperta, esmagando meu cérebro. Essas lembranças que me atormentam, a imaginação, coisas que nunca aconteceram, mas eu as criei para mim, e elas cismam de ficar aqui me atormentando. Penso que já é chegada a hora de elas me deixarem, pois não quero mais viver fantasias, essas que eu criei quando eram tempos bons. Mas agora eles se foram e eu queria que as lembranças se fossem também. Quero abrir meu peito pra coisas novas, deixar entrar, no coração, na cabeça. Porque estou cansada de fingir felicidade. Como disse antes, não quero ser do tipo que cala o peito. Não quero ficar perdida em páginas em branco. Estou pronta para escrever minha própria história. Nem que seja apenas rabiscos, eu quero estar pronta para isso.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Está escuro aqui dentro ..

DURANTE todo um pesado, sombrio e silente dia outonal, em que as nuvens pairavam opressivamente baixas no céu, estive eu vagando, sozinha, através de uma região surreal, singularmente tristonha, carregada de um espanto sombrio gélido, que passavam rente aos meus olhos. Eu passeava por ali, de mãos dadas com a escuridão, olhando aquelas árvores secas, de aparência cansada. Me perdi por entre elas, entrelaçando suas peles secas com a minha. Havia secado; não era esse o ponto, mas a junção de palavras exatas para defini-la. Desembaraçando a alma para descobrir se era um sonho, examinei mais estreitamente o aspecto real do lugar, não havia. Era mesmo apenas mais um. Uma sensação de estupor me oprimia, enquanto meus olhos se arregalavam lentamente. Despertei logo em seguida. Não havia floresta, árvores, não era sequer outono, não fora de mim.


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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Na falta de palavras, as de outra ...

Sensação estranha de que não sou capaz de coisas tão habitualmente simples para mim. Dessa vez talvez seja diferente. Só não entendo o porque.
Eu não estou a vontade para me perder no outro; não me sinto apta à compreender e consolar (muito embora a mim essa seja uma posição muito natural e o fato de não o fazer seja desconfortante).
Penso estar em um momento despretensioso, mas ao mesmo tempo seletivo e severo. Com paciência para os detalhes, para a delicadeza e para timidez, mas totalmente aversiva à faltas e a excessos. Ambos agressivos para esse meu modo de agora.
Sinto-me capaz de apenas estar ao lado de dois tipos de pessoas, ou o ser leve ou aquele consistente. Ou aquele cheio de sorriso e abraço ou aquele ser admirável de filosofia de atitude. O resto do leque dos tipos de pessoas anda me enojando: As contradições entre postura aqui ou ali, a falta de coragem, a falta de originalidade, as escolhas amargas, as escolhas fáceis, a ausência da alegria no cotidiano e tudo de mais que possa ser fraco e pequeno...Anda me embrulhando o estomago.
Não quero me justificar, não quero precisar vir a entender. Cada qual faz as suas escolhas, reproduz idéias e muda de direção. Eu assistindo à isso, calo-me.
Não me cabe questionar a tudo. Na verdade, não me cabe a questionar quase nada além do meu ser.
Mais uma vez eu chego a conclusão que tanto faz. O que me diz respeito já é tanto e já me dá tanto trabalho que eu não preciso me perder nas faltas e alternância de estado dos outros. Não nego que por convivência, rotina e amor eu estranho certas ausências (certas mudanças), mas sei aliviar o peso desse desconforto com facilidade.
A sensação esquisita que eu estou, circula entre essas questões e se aprofunda em mais outras duas coisas (acho), que talvez eu não saiba ainda dizer.
Sei que para almas opacas eu estou de férias.

P.F.

domingo, 12 de junho de 2011

' As memórias de você me parecem mais como sonho ruins, assim como uma série de borrões, como se você nunca tivesse acontecido.'

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Esclarecimentos ...

E eu que desconheço esses atos infames que ando cometendo. Não sei bem se é a falta de viver um pouco que me tira a criatividade/vontade de escrever. Tenho passado dias sozinhas demais, e acabei afastando sem querer pessoas que hoje me fazem uma falta danada. Como eu queria fechar meus olhos e em apenas um milésimo de segundo tudo voltar a ser como era antes. Eu não quero seguir dessa forma; não quero me tornar alguém que cala o peito.
Eu não sei o que ando fazendo da minha vida, sei que não podia ter sido mais uma vez tão impulsiva e incoerente.

Está bem, há alguma coerência, mas meu peito sangra e meus olhos não encontram mais a sua alma. Nem a minha.
Não é saudades, não apenas.
Não é tristeza, não só.
É uma angustia, é um medo, uma dor e muitas penas.
As qualidades que me encantam são como cores, cheiros e gestos.
E eu não importo de perder, nasci sabendo que nem sempre iria ganhar.
Hoje, amanhã ou depois posso precisar de um abraço. É difícil seguir sem saber com quem contar.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

E eu rezo ...

"Alguma coisa me despertou de um sonho que eu estava tendo. É um sentimento que eu tive muitas vezes antes. Minhas palavras se partindo e derretendo, meus olhos sem saberem para onde olhar. Todas as coisas que desejei não ter dito são tocadas nos meus lábios até o momento que se torna loucura em minha cabeça. Tudo aquilo que eu continuo pensando ao longo deste vôo é que poderia levar minha maldita vida inteira para fazer isso direito, pois este mastro lascado em que eu estou segurando não me salvará por muito tempo. E quanto mais minha jornada se faz longa, mais me perco, a mim e meus amigos, que já não são os mesmos. E vejo que eles se perdem, mais do que estou me perdendo. Pobre ilusão, salta aos olhos dos puros e conservadores, e corrompe os de bom coração. Enrolados e sem esperança nós tentamos de novo. Até que tudo vire pó."



Please, just save us from this darkness


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domingo, 8 de maio de 2011

Espero que nunca saibas ..

Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais. Você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.
Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.


V.H.


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terça-feira, 3 de maio de 2011

Abrindo a cortina ..

'Pintei o cenário
e o coloquei no prumo;
varri a plateia,
arrumei os bastidores.
No camarim, frutas e champanha:
eu seria a personagem principal.
Depois repassei minhas falas,
provei minhas fantasias,
e me pus a chorar:
numa escada invertida,
nem em cima
nem embaixo,
passavam estranhas figuras,
grandes demais para mim.

(Eu andava pelo palco,
sem sapatos nem rumo.)'


Lya Luft


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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Eternamente Ligeia ..

(...)Entretanto, nem por isso sou menos capaz de definir essa sensação, de analisá-la, ou mesmo de ter dela uma percepção integral. Reconheci-a, repito-o, algumas vezes no aspecto duma vinha rapidamente crescida, na contemplação de uma falena, duma borboleta, duma crisálida, duma corrente de água precipitosa. Senti-a no oceano, na queda dum meteoro. Senti-a nos olhares de pessoas extraordinariamente velhas. E há uma ou duas estrelas no céu (uma especialmente, uma estrela de sexta grandeza dupla e mutável, que se encontra perto da grande estrela da Lira) que, vistas pelo telescópio, me deram aquela sensação. Sentindo-me invadido por ela ao ouvir certos sons de instrumentos de corda e, não poucas vezes, ao ler certos trechos de livros. Entre numerosos outros exemplos. (...)


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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cartas Perto do Coração

"Apenas desejo intensamente que você não avance demais para não cair do outro lado. Você tem de ser equilibrista até o fim da vida. E suando muito, apertando o cabo da sombrinha aberta, com medo de cair, olhando a distância do arame já percorrido e do arame a percorrer — e sempre tendo de exibir para o público um falso sorriso de calma e facilidade. Tem de fazer isso todos os dias, para os outros, como se na vida não tivesse feito outra coisa, para você como se fosse sempre a primeira vez, e a mais perigosa. Do contrário seu número será um fracasso."


De Fernando Sabino para Clarice Lispector


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sábado, 20 de novembro de 2010

"... bem o conheço. num espelho de bar, numa vitrina, ao acaso do footing, em qualquer vidraça por aí, trocamos às vezes um súbito e inquietante olhar. não, isto não pode continuar assim.
que tens tu de espionar-me? que me censuras, fantasma? que tens a ver com os meus bares, com os meus cigarros, com os meus delírios ambulatórios, com tudo o que não faço na vida!?"


M.Q.
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A espreita

"Não dou chance
ao fortuito fantasma
que me acompanha
(e que sou eu mesmo).
Vive a me espionar.
Espera o momento
em que eu baixe a guarda.
Pensa descobrir
o que não quero revelar.
(Vai cansar…)
Seu olhar, fixo em mim,
eu finjo não perceber.
Ele se finge casual…
Mas não é!"
 
 
 M.Q.
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"Memórias desaparecendo como uma camada de neve derretida em semanas de idade.
A faca mais afiada que existiu, ou existe.
Os corações humanos nunca são claros. 
Incompreensíveis
Perseguimos fantasmas que desaparecem rapidamente.
Bem, eu persigo."



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